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INSURTECHS: De ameaças a parceiras estratégicas

Gelson Santos - AGS Contabilidade
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Para obter inovação e disrupção,as seguradoras estão recorrendo cada vez mais a startups.

Vistas inicialmente por alguns setores da indústria seguradora como uma ameaça à sobrevivência das tradicionais empresas do setor, as insurtechs vêm assumindo cada vez mais a condição de parceiras preferenciais das seguradoras para se ajustarem a um mercado cujos hábitos de consumo e o desenvolvimento tecnológico demandam a necessidade de mudanças inovadoras em produtos e serviços.

Em um evento sobre as insurtechs realizado no último mês de agosto, essa tendência se mostrou consolidada nas apresentações de diferentes agentes do setor, o que incluiu grandes seguradoras. A Mapfre, por exemplo, informou durante o evento que recorre ao “corporate venturing” para obter inovação: para 2019, a prevê investimentos de 30 milhões de euros em insurtechs na Europa, América Latina, Ásia e nos Estados Unidos.

Os investimentos se distribuem entre iniciativas destinadas à digitalização de processos e evolução do modelo de negócio. “Para o sucesso da nossa indústria nas próximas décadas, será
necessário explorar de alguma forma a tecnologia inovadora que se apresenta por meio dessas insurtechs”, disse o diretor-executivo de Operações, Tecnologia e Sinistros da Tokio Marine, Adilson
Lavrador. Segundo ele, a oferta de soluções de startups já é uma realidade em grande parte dos segmentos da economia, o que inclui o setor de seguros.

Lavrador acrescenta que a Tokio Marine considera importante a avaliação, pelo mercado segurador, de potenciais parcerias que permitam agregar valor aos processos tecnológicos ou operacionais e oferecer serviços diferenciados para corretores, assessorias e clientes. Lavrador destaca, no entanto, que “tudo isso só será viável se for realizado um monitoramento efetivo e houver disponibilidade, capacidade e agilidade em disponibilizar informações em tempo real”. Segundo ele, para que se adaptem às necessidades dos consumidores nos próximos anos, as seguradoras têm que dispor de ambientes computacionais que proporcionem capacidade para um processamento de informações de forma assertiva e qualitativa.

“A Tokio Marine investe anualmente R$ 100 milhões em tecnologia e está empenhada em desenvolver soluções que efetivamente agreguem valor à estratégia de crescimento e rentabilidade ao negócio como um todo. Nossa equipe de tecnologia trabalha intensamente para viabilizar novas maneiras de tornar o dia a dia de colaboradores, parceiros e clientes cada vez mais ágil”, disse ele. Lavrador acrescenta que considera que a parceria com insurtechs pode ser bastante positiva, já que é possível agregar valor tanto para o corretor quanto para o cliente final, usando os serviços que elas disponibilizam.

Parcerias

Uma pesquisa realizada pela PwC em 2017 com executivos do setor de seguros de 40 países já havia apontado que 52% dos entrevistados consideravam a disrupção o principal foco de suas estratégias de crescimento. Outro dado importante: já no ano passado, 45% das empresas haviam estabelecido parcerias com insurtechs, movidas pela busca por inovações e disrupção.

No ano anterior, as parcerias com insurtechs haviam sido fechadas com 28% das empresas ouvidas. A mesma sondagem revelou o cardápio dos investimentos em inovação para os 12 meses seguintes: para 84% dos entrevistados, seriam prioridade a análise de dados; 58% apontaram inovações para smartphones; 34% iriam priorizar a robótica; 33%, a inteligência artificial; outros 33%, segurança da informação; e 22%, internet das coisas.

Segundo a pesquisa, 68% dos executivos entrevistados revelaram que iriam adotar, até 2018, a tecnologia de blockchain. A insurtech Onli é uma das startups que já possuem parceria com uma seguradora, a Centauro ON. A Onli foi criada em 2017 com o desenvolvimento de uma plataforma eletrônica de distribuição e contratação de seguros em conjunto com a Centauro ON.

“Estivemos em 2016 em um evento nos EUA voltado para os seguros de vida. Vimos que não fazia mais sentido comercializar o seguro de vida na forma como se fazia até então. Apresentamos,
então, à Centauro a ideia de desenvolver um projeto de contratação e distribuição de seguros de vida 100% online”, disse o CEO da Onli, Fabiano Rocha Loures.

“Ficamos surpresos com a receptividade da seguradora em relação a um processo que ainda é um pouco discutido. Nosso conceito, no entanto, é diferente do que se discute”, afirma explica Loures. Segundo ele, a plataforma desenvolvida para a Centauro é utilizada por corretores. “É uma ideia interessante municiar o exército de corretores que atua no Brasil – hoje são quase 70 mil -, que talvez não tivessem condições de desenvolver uma plataforma tecnológica por conta própria, mas que gostariam de ter acesso a uma para fazer a distribuição desses produtos de forma 100% online”, diz ele. Loures explica que, no processo que foi implementado na Centauro, é possivel contratar um seguro de vida ou acidentes pessoais e em menos de 5 minutos receber a apólice

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